Era quase noite. O céu estava coberto por nuvens, e eu sentia o frescor que o ar tinha, aquele cheiro característico que só sentimos antes da chuva. Ele me fazia sentir a magia do mundo.
Fechei os olhos por alguns segundos, e dois riscos quentes de lágrima riscaram minha face. Eu estava com aquele aperto no coração, aquele que está bem entre emoção, felicidade e tristeza. Talvez um pouco nostálgico, talvez um pouco inexplicável. Lugares altos me faziam sentir assim.
Encostei na pedra fria que fazia a barreira entre mim e o mundo, aquela vista tão linda e distante. Sentia como se pudesse voar, e por isso fechei os olhos de novo, sentindo o vento como se eu fosse parte dele.
Ouço um tilintar, um dedilhar agudo e macio. Está longe, e é tão suave que de início penso ser o barulho da chuva. Olho ao redor, e do outro lado do mirante, observando a paisagem, havia um homem.
Tinha os cabelos negros, e se sentava em um banquete de madeira. Havia acendido duas velas, posicionadas em cima do muro de pedra, provavelmente pela pouca luz nesse anoitecer nublado. Em seu colo, um instrumento de cordas, que ele dedilhava tão misticamente, de olhos fechados, que nem parecia consciente. Parecia estar dormindo, e que seus movimentos eram apenas um reflexo de seu sonho.
Depois de admirar tal figura por alguns segundos, comecei a prestar atenção à melodia. Era tão conhecida, tão... familiar. E foi quando ele começou a cantar.
Sua voz macia e rouca, tão mágica, não foi o que mais me surpreendeu, mas sim o fato de eu saber as letras e palavras que viriam em seguida. Me aproximei mais, hipnotizada pela música, e comecei a cantar junto. Apenas não pude evitar.
Ele abriu os olhos âmbar lentamente, não surpreso pela minha presença ou pelo fato de eu conhecer a canção, mas sim para compartilhar. Compartilhar a música. A sensação que ela trazia. O sentimento, a mágica, o contágio. A lembrança, como se algo que tivesse passado à muito tempo atrás estivesse acontecendo de novo.
E assim permanecemos. Sob a luz das velas, cada vez mais necessárias pelo passar das horas. Entre o mundo, o horizonte, o vento, e o céu.
Céu este que se abria. Abria para mostrar uma linda lua e estrelas.
Mas o cheiro de chuva continuava lá.
Enquanto a música continuasse, a magia ficaria também.
quinta-feira, 8 de março de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Metas
Está na hora de mudar. Quantas vezes já não ouviu isso, mesmo que dentro de sua própria cabeça? A vida segue um traço inconstante devido à própria natureza humana. Humana, nesse caso, seria eu. Quantas vezes já não disse querer mudar, mexer, revoltar? Na maioria, acabo na mesma (merda).
Mas talvez realmente seja hora, hora de começar a por em prática. Nada de anotações mentais ou deixar à poeira em post-its amarelos. Quero ver acontecer, tanto as longas quanto as necessárias imediatistas.
Começando com, praticando o desapego. Talvez seja aquela hora, em que eu me rendo à ser fria, à simplesmente não me importar. Afinal, tudo não é tão instável? Sentimentos, situações, momentos da vida, companhias. Pra que me importa? Se precisamos de interações sociais, aqui vamos nós: pra que me apegar às pessoas? E o pior é que é hipocrisia pura, crua e nua: pessoas frias me irritam.
Não me leve à mal, mas é necessário. Em pleno estilo faça-o-que-digo-mas-não-faça-o-que-faço. Comecei a experimentar algo que gostei e viciei: ignorar.
Eu sei que o corajoso me diria que sou fraca e fujo dos problemas, mas ultimamente, ponho minha felicidade em primeiro lugar. Então é isso, no velho e bom português chulo:
''Meto o 'foda-se'."
E dessa vez, espero que passe da tinta do post-it amarelo grudado em meu mural.
Mas talvez realmente seja hora, hora de começar a por em prática. Nada de anotações mentais ou deixar à poeira em post-its amarelos. Quero ver acontecer, tanto as longas quanto as necessárias imediatistas.
Começando com, praticando o desapego. Talvez seja aquela hora, em que eu me rendo à ser fria, à simplesmente não me importar. Afinal, tudo não é tão instável? Sentimentos, situações, momentos da vida, companhias. Pra que me importa? Se precisamos de interações sociais, aqui vamos nós: pra que me apegar às pessoas? E o pior é que é hipocrisia pura, crua e nua: pessoas frias me irritam.
Não me leve à mal, mas é necessário. Em pleno estilo faça-o-que-digo-mas-não-faça-o-que-faço. Comecei a experimentar algo que gostei e viciei: ignorar.
Eu sei que o corajoso me diria que sou fraca e fujo dos problemas, mas ultimamente, ponho minha felicidade em primeiro lugar. Então é isso, no velho e bom português chulo:
''Meto o 'foda-se'."
E dessa vez, espero que passe da tinta do post-it amarelo grudado em meu mural.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Paladar
Tenho um gosto de esperança na boca, bem no finzinho.
Mais pro começo, sinto um pouco de aperto no coração. Mas ando tomando chá de ignorância, pra ver se disfarça esse sabor.
E Deus, foi bom matar um pouco dessa saudade que subia pela garganta, apesar de ainda sentir sua efervescência.
E coçando no céu da boca, está a motivação pra continuar. Esquecer o que aconteceu, fingir que não me importo. Ficar feliz, e evitar a confusão que se desenrola entre línguas, ou desenrolou entre bocas. Guardar nas lembranças, e, com muito cuidado, esquecer o sabor. Porque ele é tão bom, que vicia, e desse vício, já não posso mais abusar.
Então me resta engolir o tal gosto de esperança, pra evitar o corroente desapontamento.
É um pouco amargo, mas eu supero. Afinal, sou 'doce'.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Madrugada
Pára com isso, menina! Se ajeita, se apruma, passe a mão pelo vestido, levante-se, arrume a postura, e anda!
Finja que nada aconteceu. Sorria, e comprimente. Vire as costas, engula o choro. Está tudo bem, está tudo bem.
Você é bem melhor do que isso, bem melhor. Está na hora de criar um pouco de orgulho. De mostrar sua felicidade, e de se deixar ser feliz, e dos outros verem isso. De lembrar daquele sorriso bêbado às 3 horas da manhã. Aquilo foi felicidade. Pelo cheiro bom de café no ar. E pela companhia.
Isso, pense na companhia! Disso não pode reclamar agora. Está indo bem, então deixe-o ver isso! Deixe que veja como está bem! Mostre pra ele o orgulho, a felicidade!
Ele vai ver como você está melhor, mesmo sem ele. Aliais, para isso, bastaria só o barulhinho da chuva, mas ele não sabe...
Mesmo que não o atinja, não importa.
O objetivo era demonstrar o que sente: se deixar ser feliz.
Como resolução de ano novo, feitas num sorriso bebado às 3 da manhã.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Pelos Velhos Tempos
Isso, vá embora mesmo. Pra bem longe. Alíais, nem espera amanhã. Vai hoje. Quanto antes melhor.
Vai, se distancie, hipnotizada. Hipnotizada pela própria ignorancia e egoísmo. Enfeitiçada por uma idéia ridícula, uma idéia que te apodera e te transforma em outra pessoa. Como droga. Viciante.
Você está tão vidrada e presa nesse contexto tão estúpido, que fica cega. Fica cega pra tudo. Fica cega pro amor que eu sinto por você, fica cega pela grande merda que você tá fazendo, fica cega pelo que você acha que sente, e pelas injustiças que está cometendo. Deus, será possível que você não enxergue que você vai se machucar? Não enxergue que vai dar errado? Que você vai voltar pra cá chorando daqui a alguns meses? Mas vai ser tarde demais...
Porque eu vou ter ido embora.
Tudo porque você, uma adulta, está agindo como uma criança, infantil, com um brinquedinho novo.
Como você pode ser tão irracional? Você era uma pessoa maravilhosa, e se transformou em uma alienada, ignorante.
E pode chamar do que quiser: ciúmes, crítica, inveja...
Você sabe que é verdade. Você sabe no fundo que está apenas sendo... bem, idiota. É, idiota e imatura.
Às vezes não acho que você não passa disso.
Então, é, isso, vá embora mesmo. Pra bem longe. Alíais, nem espera amanhã. Vai hoje. Quanto antes melhor.
Porque eu não quero assistir você quebrando a cara de camarote.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Irracional
É incrível como às vezes até as pessoas mais próximas me assustam, e conforme convivo e vivo nessa sociedade, percebo o quão o ser humano apenas finge ser normal e perfeito, mas o quão irracional e estranho ele é.
Ás vezes penso se somos ao menos saudáveis. Não, somos todos corrompidos, pelo egoísmo de querermos apenas o bem para nós mesmos, o poder para nós mesmos, a felicidade para nós mesmos. Foda-se os outros. Até nas boas ações: você apenas as faz para se sentir feliz ou livre de culpa.
Me chame de pessimista, me chame de deturpada, mas olhe ao seu redor.
Errada, não estou.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Oceano
Tudo nela esbanja futilidade.
Entenda, não apenas pela aparência física, não gosto de julgar um livro pela capa.
Mas é como ela vê o mundo. Belo mundo, em que o maior problema é a roupa para a festa.
Tão fácil, mais simples, mais limpo, mais bonito. Valeria a pena?
Bom, primeiro que em meu caso particular, devido à minha bela genética (entre tossidas) e capacidades sociais, se eu fosse me dedicar apenas à futilidades, principalmente pelo lado estético e vaidoso da coisa, estava fudida. Mas, tirando tal particularidade, seria melhor ser superficial?
"Ignorança é uma benção."
Trocaria uma vida de pensamentos e reflexões, entender o que acontece de verdade? Isso não nos faz mais racionais, humanos? Porque, pensemos: qual a diferença de um pavão que se exibe para a fêmea para as meninas que se vestem como um para se exibirem aos machos?
Às vezes em minha mente a balança pesa.
Hemingway já dizia: "Happiness in intelligent people is the rarest thing I know." Pois a verdade nem sempre é boa, a vida nem sempre é boa, a informação nem sempre é boa.
Mas eu vejo assim: a vida seria um oceano. É tão lindo o jeito que o pôr-do-sol bate nele, e como as ondas nos entretêm. Você pode viver na superfície, onde boiar é fácil, e apenas admirar o céu. Ou você pode mergulhar, prendendo a respiração e se forçando a nadar, e encontrar um mundo completamente diferente e novo, de cardumes, algas e pequenos pontos coloridos.
Então tudo bem ela esbanjar fultilidade: ela apenas boia, e o mar é bonito de cima.
Mas eu simplesmente amo estrelas-do-mar...
domingo, 20 de novembro de 2011
Quando...
Sabe quando você tira uma foto e as luzes parecem pequenos vagalumes brilhando, pequeninas bolas de claridade?
Então, são essas luzes que vejo nessas horas.
Minha respiração prende, e eu sinto meus próprios olhos sorrirem. Meu peito se preenche, e não estou mais sozinha: há borboletas no meu estômago.
Eu sempre, sempre, olho para seus lábios, apenas não consigo evitar, normalmente os semi-cerro para depois fechá-los.
Produzo adrenalina e meu coração dispara, minha mente lança um turbilhão, e, por trás da escuridão que enxergo, projeta-se um milhão de imagens e pensamentos, contínuos e mútuos, repentinos.
Se sinto sua respiração próxima à minha então, tudo se multiplica.
É uma das melhores partes, na minha opinião. É o começo, o preparo, o que antecipa. E não importa quantas vezes ele aconteça: toda vez é excitante e diferente.
Aqueles pequenos segundos antes dos nossos lábios se encontrarem, quando nos aproximamos e nosso cérebro, seguindo uma série de desclaves lógicos, faz o 'clique' e nos damos conta do que vai acontecer.
E tudo clareia, para se seguir das borboletas, e pulmões cheios, e cílios calmos se encontrando, e sensibilidade da pele correndo como impulsos e choques e eletricidade.
E ai.. e ai, meu amor, é quando a mágica acontece.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Na ponta do nariz
Achar uma música nova.
Cheiros de livros.
Dormir com o barulho da chuva.
Receber elogios inesperados.
Sorvete.
Saber o que vestir.
Acordar tarde.
Receber uma nota boa.
Viajar.
Festas.
Fazer algo fora da rotina.
Dançar ao som de uma música alta.
Sonhos bons.
Banhos longos.
Sair com os amigos.
Ver um filme inteligente.
Ganhar uma discussão.
Beijar.
Acordar e pensar que esse dia vai ser melhor que o último.
Acordar e lembrar de pequenas coisas que vão fazer seu dia melhor que o último.
Acordar e lembrar de pequenas coisas que vão fazer valer a pena viver mais um dia.
A curiosidade que fica na ponta do nariz de quando teu destino vai te pegar de surpresa de novo.
sábado, 12 de novembro de 2011
Noite
Agora irei sair,
cumprir meu destino noturno
como uma mente entregue aos delúrios,
ao drama.
Fechar as pestanas,
e sentir a pele aquecer no contato úmido,
para fechar-me tambem pela névoa invisivel,
que preenche meu sensor auditivo.
E me proteger dos perigos iminentes psicologicos,
me envolvendo na camada de macio.
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