sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pelos Velhos Tempos

Isso, vá embora mesmo. Pra bem longe. Alíais, nem espera amanhã. Vai hoje. Quanto antes melhor.
Vai, se distancie, hipnotizada. Hipnotizada pela própria ignorancia e egoísmo. Enfeitiçada por uma idéia ridícula, uma idéia que te apodera e te transforma em outra pessoa. Como droga. Viciante.
Você está tão vidrada e presa nesse contexto tão estúpido, que fica cega. Fica cega pra tudo. Fica cega pro amor que eu sinto por você, fica cega pela grande merda que você tá fazendo, fica cega pelo que você acha que sente, e pelas injustiças que está cometendo. Deus, será possível que você não enxergue que você vai se machucar? Não enxergue que vai dar errado? Que você vai voltar pra cá chorando daqui a alguns meses? Mas vai ser tarde demais...
Porque eu vou ter ido embora.
Tudo porque você, uma adulta, está agindo como uma criança, infantil, com um brinquedinho novo.
Como você pode ser tão irracional? Você era uma pessoa maravilhosa, e se transformou em uma alienada, ignorante.
E pode chamar do que quiser: ciúmes, crítica, inveja...
Você sabe que é verdade. Você sabe no fundo que está apenas sendo... bem, idiota. É, idiota e imatura.
Às vezes não acho que você não passa disso.
Então, é, isso, vá embora mesmo. Pra bem longe. Alíais, nem espera amanhã. Vai hoje. Quanto antes melhor.
Porque eu não quero assistir você quebrando a cara de camarote.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Irracional

É incrível como às vezes até as pessoas mais próximas me assustam, e conforme convivo e vivo nessa sociedade, percebo o quão o ser humano apenas finge ser normal e perfeito, mas o quão irracional e estranho ele é.
Ás vezes penso se somos ao menos saudáveis. Não, somos todos corrompidos, pelo egoísmo de querermos apenas o bem para nós mesmos, o poder para nós mesmos, a felicidade para nós mesmos. Foda-se os outros. Até nas boas ações: você apenas as faz para se sentir feliz ou livre de culpa.
Me chame de pessimista, me chame de deturpada, mas olhe ao seu redor.
Errada, não estou.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Oceano

Tudo nela esbanja futilidade.
Entenda, não apenas pela aparência física, não gosto de julgar um livro pela capa.
Mas é como ela vê o mundo. Belo mundo, em que o maior problema é a roupa para a festa.
Tão fácil, mais simples, mais limpo, mais bonito. Valeria a pena?
Bom, primeiro que em meu caso particular, devido à minha bela genética (entre tossidas) e capacidades sociais, se eu fosse me dedicar apenas à futilidades, principalmente pelo lado estético e vaidoso da coisa, estava fudida. Mas, tirando tal particularidade, seria melhor ser superficial?
"Ignorança é uma benção."
Trocaria uma vida de pensamentos e reflexões, entender o que acontece de verdade? Isso não nos faz mais racionais, humanos? Porque, pensemos: qual a diferença de um pavão que se exibe para a fêmea para as meninas que se vestem como um para se exibirem aos machos?
Às vezes em minha mente a balança pesa.
Hemingway já dizia: "Happiness in intelligent people is the rarest thing I know." Pois a verdade nem sempre é boa, a vida nem sempre é boa, a informação nem sempre é boa.
Mas eu vejo assim: a vida seria um oceano. É tão lindo o jeito que o pôr-do-sol bate nele, e como as ondas nos entretêm. Você pode viver na superfície, onde boiar é fácil, e apenas admirar o céu. Ou você pode mergulhar, prendendo a respiração e se forçando a nadar, e encontrar um mundo completamente diferente e novo, de cardumes, algas e pequenos pontos coloridos.
Então tudo bem ela esbanjar fultilidade: ela apenas boia, e o mar é bonito de cima.
Mas eu simplesmente amo estrelas-do-mar...

domingo, 20 de novembro de 2011

Quando...

Sabe quando você tira uma foto e as luzes parecem pequenos vagalumes brilhando, pequeninas bolas de claridade?
Então, são essas luzes que vejo nessas horas.
Minha respiração prende, e eu sinto meus próprios olhos sorrirem. Meu peito se preenche, e não estou mais sozinha: há borboletas no meu estômago.
Eu sempre, sempre, olho para seus lábios, apenas não consigo evitar, normalmente os semi-cerro para depois fechá-los.
Produzo adrenalina e meu coração dispara, minha mente lança um turbilhão, e, por trás da escuridão que enxergo, projeta-se um milhão de imagens e pensamentos, contínuos e mútuos, repentinos.
Se sinto sua respiração próxima à minha então, tudo se multiplica.
É uma das melhores partes, na minha opinião. É o começo, o preparo, o que antecipa. E não importa quantas vezes ele aconteça: toda vez é excitante e diferente.
Aqueles pequenos segundos antes dos nossos lábios se encontrarem, quando nos aproximamos e nosso cérebro, seguindo uma série de desclaves lógicos, faz o 'clique' e nos damos conta do que vai acontecer.
E tudo clareia, para se seguir das borboletas, e pulmões cheios, e cílios calmos se encontrando, e sensibilidade da pele correndo como impulsos e choques e eletricidade.
E ai.. e ai, meu amor, é quando a mágica acontece.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Na ponta do nariz

Achar uma música nova.
Cheiros de livros.
Dormir com o barulho da chuva.
Receber elogios inesperados.
Sorvete.
Saber o que vestir.
Acordar tarde.
Receber uma nota boa.
Viajar.
Festas.
Fazer algo fora da rotina.
Dançar ao som de uma música alta.
Sonhos bons.
Banhos longos.
Sair com os amigos.
Ver um filme inteligente.
Ganhar uma discussão.
Beijar.
Acordar e pensar que esse dia vai ser melhor que o último.
Acordar e lembrar de pequenas coisas que vão fazer seu dia melhor que o último.
Acordar e lembrar de pequenas coisas que vão fazer valer a pena viver mais um dia.
A curiosidade que fica na ponta do nariz de quando teu destino vai te pegar de surpresa de novo.

sábado, 12 de novembro de 2011

Noite

Agora irei sair,
cumprir meu destino noturno
como uma mente entregue aos delúrios,
ao drama.
Fechar as pestanas,
e sentir a pele aquecer no contato úmido,
para fechar-me tambem pela névoa invisivel,
que preenche meu sensor auditivo.
E me proteger dos perigos iminentes psicologicos,
me envolvendo na camada de macio.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Feito Barata Tonta

Clichês.
Hoje em dia, tudo virou clichê. Até o clichê virou clichê.
E já que estou a todo vapor, vou por as cartas na mesa: no dia-a-dia, o que mais dou de cara são frases feitas. Elas são ditas da boca pra fora, quando dão na telha. Hoje mesmo, peguei um mocinho da TV com a boca na botija: 'Não posso ficar com você. Preciso me focar nos estudos.'
Pelo amor de Deus! É tão piegas quanto 'não quero estragar a amizade', ou 'não é você, sou eu.'
Mas como sou da pá virada, decidi passar um santo dia inteiro sem pronunciar um clichê se quer!
Estava indo bem, quando minha boca aberta solta uma 'por via de regra'. Mas como sou brasileira e não desisto nunca, resolvi dar a volta por cima, até que me denuncio com um 'brincar com fogo' que resolve dar o ar da graça.
Então, chutei o balde. Foi um dia inteiro de caixinhas de surpresas: Vários 'união faz a força', 'fé em Deus e pé na tábua', 'rodar a baiana'. Meu plano foi por àgua abaixo, quando descobri que 'te amo' virou um clichê.
Mas depois de pôr o tico-e-teco pra trabalhar e esquentar a cabeça, cheguei a seguinte conclusão: a vida é feita dos velhos e bons clichês.
E para fechar com chave de ouro, preste atenção: esse texto em si, é um grande clichê, feito de clichês, falando sobre clichês.
Pois é, meu caro Watson. Não tem como fugir das famosas frases feitas.
É a vida!

Gabito Nunes

"No mais, ela tem seu comportamento perpendicular. Acho que para não acordar os pássaros matinais, ela sussurra em bemol "Tá acordado? Eu quero fazer amor". Eu juro, ela diz assim. Como se não soasse clichê. Às vezes ela até diz que os clichês são invenções, só existem em hipóteses sonhadas por cabeças mesquinhas. Ela diz assim "fazer amor". E reforça "Estou com vontade". Ela não vai descansar.
(...)
É o jeito, o cheiro, o modo de vestir, como caminha, como olha, como para. Não sei. Eu amo. Ela retribui. Não há outros motivos pra estacionar se não for nesses termos, com esses votos e afirmações diárias. "Te amo, sim. Só que de vez em quando me esqueço", falou ela, numa briga da semana passada. Ela enche a boca pra dizer bom dia, antes mesmo do dia, que pelo visto acordou melancólico, mais uma vez. Não estou todo confortável, mas tudo bem, agora estou acordado e de acordo. Ela lambe o topo, sem os dentes, e me olha, "e aí?" Ela me convence. Pronto, sinto tesão."

Quase lá

A vida anda instável demais.
Não posso mais me apegar, porque posso sofrer. Não posso mais ter esperanças, porque vou me decepcionar. É difícil demais ter algo ao meu lado, uma notícia feliz, alguem que se importe?
Estou cansada de ter de tomar cuidado para esperar o pior.
Sinto como se estivesse perdendo a fé no amor. Não há coisa pior do que lutar para não gostar de alguém, pois sabe que vai se magoar. Ter de ficar repetindo pra si mesma: 'Não se importe, não se apaixone, não dê atenção, não é ou vai ser nada sério.'
Porra! Não era para ser assim. Não pode ser assim. Será possível que eu não possa simplesmente não me apegar?! Ah...
Como se eu soubesse que um dia seria assim. Essa loucura inevitável, é uma merda, se quer saber, palavras de uma poetisa romântica em delírio contra o amor.
Não tenho escolha, a não ser não me arriscar. De qualquer maneira, ele não vai reparar, ele não se importa. Ele diria 'foda-se' e beijaria outra.
Talvez amanhã já esteja pior.
Talvez amanhã eu já não esteja mais aqui.
Talvez amanhã já tenha acabado, acabado tudo, tudo, tudo...
Pois é, a vida anda instável demais.
Instável demais para meu gosto.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Tati Bernardi

"Eu não quero ir embora e esperar o dia seguinte. Porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo. Se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum equilíbrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos."