segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

[CENSURADO] o que eles pensam.

Conceito de paranóica, esquizofrênica, louca.
Ultimamente uma certa frase vem se passando com freqüência de boca em boca ao meu redor, conseqüentemente registrada em minhas memórias, frase dita mais frequentemente do que se considera, devido à linguagem imprópria, porem presente na maioria dos dicionários de língua portuguesa: "Foda-se o que os outros pensam".
Sempre adorei tal lema - símbolo de pessoas fortes e maduras, estampado em suas testas e quem ganhando de brinde um gesto obsceno do dedo do meio, se vir a calhar, a demonstração de rebeldia perspicaz, e, sejamos sinceros, idiota.
Apesar de admirar tal coragem, - pelo menos daquele que realmente diz para dizer o significado, filosofando a sentença - nunca achei que fosse encaixar à mim mesma, pois sempre fui tão exposta e sensível à tediosa fragilidade adolescente (mais conhecida como Rainha do Drama) que sempre me importei, fultilmente (como não se espera mais do que isso ao se importar) com o pensamento alheio.
Mas cá estava eu hoje, hoje, passado certo tempo depois de todas as ocasiões com a frase em pauta, relaxando como sempre debaixo da chuva, deitada no portão de casa, de olhos fechados, estatelada, sentindo os pingos, quando passam alguns vizinhos.
Só ouço pelo barulho que atrapalha meu momento de meditação, mas talvez fosse apenas ignorá-los se não tivesse começado aquele comichão incansável que sentimos num ponto estratégico abaixo da orelha, quando sentimos que falam da gente.
Abro um olho, tomando cuidado para um pingo-filha-da-mãe não atingi-lo no exato segundo do meu ato, e me deparo com três mulheres e o policial que mora na casa ao lado, parados, embaixo de seus guardas chuvas cochichando e olhando pra mim. Praticamente gnomos ou oompa-loompas, da minha visão periférica inferior.
Ao perceberem meu olhar esgueiro, disfarçam e votam ao seu caminhar.
Sinto mais alguns pingos no rosto, e não ia deixar aquele momento próprio, rotineiro e essencial desfalecer-se por um bando de duendes que espiam os momentos de meditação na garagem alheia, ou no caso oportuno - seria a minha.
E pensei, "Sinceramente? Foda-se o que eles pensam."
Neste momento minha mente se desencadeia em uma série de momentos partilhados dessa mesma frase, me recordando a várias lembranças, ato que os franceses - com sua mania de nomeador e inventar palavras à tudo - nomearam de "Deja vú" (se não souber, procure se informar, essa é uma palavra de magia unica e imprescindível).
E me senti rebelde, idiota, e, de certa forma, liberta.
Continuei a meditar sob a chuva.
Adolescentes são tão previsíveis.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Nome Do Vento

"Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de ‘Kuouth’. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir.

Meu primeiro mentor me chamava de E’lir, porque eu era inteligente e sabia disso.

Minha primeira amada de verdade me chamava de Duleitor, porque gostava desse som. Já fui chamado de Umbroso, Dedo-Leve e Seis-Cordas. Fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano; e Kvothe, o Matador do Rei. Mereci esses nomes.

Comprei e paguei por eles.

Mas fui criado como Kvothe. Uma vez meu pai me disse que isso significava ‘saber’.

Fui chamado de muitas outras coisas, é claro. Grosseiras, na maioria, embora pouquíssimas não tenham sido merecidas.

Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros. Incendiei a cidade de Trebon.

Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela.

Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorar.

Vocês devem ter ouvido falar de mim."

Dor

Eu fui tão estupidamente idiota, quero tudo de volta, agora por favor.
Tudo voltou como um furacão só que agora pior, porque não é correspondido.
Me sinto uma idiota carente pensando, por favor, me ame, me ame, me ame. E não posso deixar de pensar que mereci tudo isso.
Quero você de volta. Por favor, me ame de novo. Por favor, que as coisas voltem a ser como eram antes.
Por favor.
Eu odeio isso, quero voltar no tempo e me impedir de fazer aquela horrível decisão.
Quero você de volta.
Por favor.
Um pedido desesperado.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Sr. Segunda-Feira

"E, no primeiro dia, havia mistério."

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Entrevista com Jostein Gaarder pela Revista Superinteressante

No começo de Maya, sua obra mais recente, há uma referência à brevidade do tempo. Por que isso lhe inquieta tanto?
Você não acha que nossa existência é muito curta?

Eu acho que sim. Muita gente acha que não. Em Maya, esse tema é discutido logo no começo, quando um dos personagens pergunta a outro: Se lhe dissessem que acendendo essa chama você viveria eternamente, você acenderia? E o outro responde: Acenderia sem nenhuma dúvida. Eu também acenderia sem hesitar. Nem me arrependeria depois de um milhão de anos. Muitos leitores comentam que os personagens dos meus livros sempre celebram a vida, o que é verdade. Você já se deu conta do quanto se fala sobre a vida nos funerais?

Como você pode estar tão seguro de que não se arrependeria ao escolher a imortalidade?
A vida e a morte são duas caras da mesma moeda. Mas a minha escolha seria clara. Não duvidaria.

Ao acender a chama você provavelmente ficaria com um único lado da moeda...
Talvez fosse perigoso. Conheço os dois lados da moeda. Mesmo assim, escolheria a vida eterna. Não tenho o suficiente com apenas uma vida. Quando tinha 15 anos, já pensava assim.

Como é a sua relação com a morte?
Vejo a morte como o final da vida. Epicuro dizia que não temos que nos preocupar com a morte, porque quando a morte existe, nós não existimos.

Como você se define? Escritor ou filósofo?
Se tivesse que escolher, diria que escritor. Quando era professor já escrevia. Logo publiquei O Mundo de Sofia e fui ao mesmo tempo uma coisa e outra. Através do Espelho e Ei! Tem Alguém Aí? foram livros filosóficos. Minha ligação com a vida tem sido essa desde sempre. Agora espero ser mais escritor.
(...)

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Gênio. Não há palavras melhores à defini-lo. Eu admiro esse homem tanto. Sabe, é estranho pensar no "admirar". Porque admirar alguem? Talvez seja porque você gosta tanto das pessoas, de suas ações e de seus pensamentos que ela te faz querer ser como ela. É o que sinto pelo Josteein Gardeer.
Tenho vontade de poder ler todos os pensamentos dele, mas sei que seria impossível. Se às vezes penso que não aguento mais de tanto que reflito, crio teorias, e o tanto que tem de pensamentos dentro de mim, imagine dele, um filósofo, um intelectual, mais velho, mais experiente e mais sábio que eu.
Imagino conversar com ele.
Deve ser fascinante.
Um dia realizo esse sonho.




(fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2000/conteudo_118712.shtml)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pense.

O que é realidade?




Pense. É um sonho.
Pode ser. Quem disse que não seria?
Ilusão e realidade.
A realidade é que existe um fina linha imaginaria entre a imaginação e a realidade.
E a imaginação é a realidade de forma ilusória.
Pense. Sonhar é real. Ter ilusões é real. Se você ao imaginar, você sente, convive, vê, qual a diferença entre sonhos e vida real?
Porque a realidade se há imaginação?
Sonhos são melhores.
Mas realidade é realidade.
Pense. Sonhe e realize.
Fim.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Wake

Quando a porta abriu, ninguém viu isso acontecendo. A maçaneta o atingiu no estômago antes que seu pé pudesse impedi-la. O deixando sem ar por um minuto. E espalhando dor. Ele se dobrou. Os amigos riram. Por que não? Era engraçado para eles, ele achava.
Mas seus olhos permaneceram nela enquanto ela saia do ginásio como um míssil na noite fria e escura, seguindo em direção da mesma rua que Cabe havia andando dezenas de vezes durante o ano, todas as vezes que ele perdia o ônibus.
Ela caminhava trôpega com os saltos altos como se nunca os tivesse usado antes. Era uma longa caminhada para casa, e nem um pouco agradável. Estava ficando frio e o quanto mais longe da escola, pior a vizinhança ficava. Assim que Cabel conseguiu respirar novamente, ele olhou para seu skate. Talvez agora fosse sua chance. Ele ajustou seu capuz, colocou a franja um pouco para dentro para conseguir enxergar. Acendeu outro cigarro lentamente, seus dedos tremiam um pouco.
- Você vai atrás dela? - Um dos caras, Jake, perguntou.
- Talvez. -Cabel falou friamente. Ele deu outra tragada e exalou lentamente, então esmagou o cigarro com o sapato e pegou o skate. – Sim.
- Eu vou também. Outro cara falou. – toque de recolher.
- Eu também. Outro falou.
Cabel respirou fundo e deu de ombros na escuridão. – Tanto faz.

Antes de poder mudar de idéia, ele colocou seu skate em baixo do braço e saiu.
Levou vários minutos para alcançá-la a pé, e por um curto tempo ele achou que a havia perdido. Ela já havia abandonado os saltos, mas a vizinhança ia se deteriorando rapidamente enquanto eles caminhavam para a parte ruim da cidade, onde ambos Cabel e Janie moravam.
Ele a viu ficar tensa quando os três se aproximaram. Os dois caras colocaram os skates no chão e ela parou. Cabel amaldiçoou baixinho. Ele não tinha a intenção de assustá-la.
- Nossa! - Ela falou. Por sorte o reconhecendo. – Isso, mate uma garota de susto, porque não? - Ela parecia irritada.
Cabel deu de ombros. Por fora frio, por dentro um caos. Seus órgãos se contorciam e doíam. O que diabos estou fazendo? Mas era tarde demais para desistir.
Ele tentou desesperadamente pensar em algo para falar. Os outros caras seguiram na frente, dando um pouco de distancia.
- Vai ser uma longa caminhada. Ele falou. Estremecendo pelo quanto idiota aquilo fora. – você, ih. A voz dele estava rouca. – Está bem?
- Ótima. - Ela falou procurando a palavra. – Você?
Ele engoliu em seco. Respirou fundo. Sem idéia do que fazer a seguir. Mas ele não conseguia vê-la caminhando de pés descalços. Ela já estava mancando.
- Suba. Ele falou e colocou o skate no chão. Pegou os sapatos das mãos dela. – Você vai deixar seus pés em retalhos. Há vidros e todo o tipo de porcarias.
Janie parou. Olhando para ele. E ele pode ver algo em seu rosto de menina valente. Vulnerabilidade ou algo parecido. Que fez o estômago dele se revirar.

- Eu não sei como. - Ela falou.
Ele sorriu então. Aliviado. Ela não havia falado para ele ir embora. Definitivamente um passo na direção certa.
– Apenas fique de pé. Se curve e mantenha o equilíbrio. Ele falou. – Vou empurrar você.
E depois de olhar para ele por um longo tempo, ela fez aquilo. Inacreditável. Ele colocou sua mão na parte de baixo das costas dela, esperando que estivesse tudo bem para ela, mas sem querer perguntar. Empurrando ela, e depois de algum tempo, ela descobriu como se manter em pé sem cair ou deixar o skate sair do caminho enquanto ele a empurrava através das ruas pobres de South Fieldridge.
Ele não havia se sentindo tão bem assim por muito tempo. E mesmo não conseguindo pensar em nada para falar, aquilo estava bem, eles estavam no escuro. Os dois ficaram em um estranho silencio. O calor das costas dela na mão dele na noite fria. O fato de ela ter confiado nele. De ela não estar com medo. De não ter saído correndo e gritando. Ela o havia deixado tocá-la, por Deus.
Incrível.
Ele mal notou quando os outros caras foram embora, seguindo para suas respectivas casas. Era tudo o que podia fazer para manter sua concentração em desviar das pedras e vidros.
Quando ele a empurrou pela entrada de carros da casa dela até os degraus, ele sabia que havia terminado. Pelo menos por enquanto. Mas era o suficiente no momento. Era esperança. Janie saiu do skate e abriu a porta de tela.

Ele colocou os sapatos dela no degrau, hesitando por um momento, então pegou seu skate e partiu sem falar nada. Com apenas um aceno. Um total perdedor.
Ele já estava na rua quando escutou. – Obrigado Cabel. A voz dela era fraca, suave no ar. – Isso foi muito meigo.
Aquilo era uma maldita musica, isso é que era. O bastante para fazer um cara ficar um pouco louco por dentro.
Cabel vinha pensando muito naquele dia ultimamente."

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sonhos

São essenciais. São parte de nós. Manifestações do subconciente. Pensamentos ocultos, segredos guardados, vontades íntimas.
Por isso temos medo de nossos sonhos. Ele nos mostra. Mostra como somos, como pensamos. Mostra coisas que negamos à nos mesmos. Que escondemos. Eles são sinceros, não perdoam, não evitam, não escolhem ou tem piedade.
Eles nos inibem, nos abre, nos deixa à mercê, nos expõe.
Não nos deixam escolhas.
Por isso temos pesadelos.
Ou sonhos inquietantes.
Mas é apenas.. nós.
Podemos ser assustadores.
Ou assustadoramente sinceros.
Ouça seus sonhos.
São gritos que vêm de você.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Banho

Era um banheiro bem iluminado, com as paredes cobertas por azulejos brancos. Ele estava ùmido e quente, com uma ligeira névoa causada pelo vapor.
O espelho estava embaçado e a pia molhada. Havia roupas no chão, jogadas sob o tapete.
O boxe era de vidro, e gotas escorriam pela sua superfície.
Os únicos ruídos audíveis eram causados pelo motor do chuveiro, e o de sua água chocando-se contra a superfície. Porém, se você ouvisse atentamente, escutaria um outro som, por baixo: o choro de uma menina.
A criatura nua e encolhida encontrava-se encostada na parede de baixo do chuveiro. Seus cabelos molhados escorriam pelos braços, que abraçavam suas pernas. Sua face estava escondida, e seus ombros se moviam conforme chorava.
A água quente escorria pela sua pele. Ela corria em direção ao ralo, sendo levada junto com as lágrimas da garota.
"Is-so mi-nha que-ri-da", diziam as gotas ao passaram pelo seus ouvidos e estaralem no chão. "Cho-re".
A menina ergueu a cabeça, olhando para cima, sentindo a água tocar sua face. Por um instante parou de chorar e estendeu a mão pra cima, se envolvendo na pequena cascata quente.
Abriu a boca e devorou-a, sentiu-a em suas pálpebras e deslizando pelos seus cabelos, uma gota percorrendo suas costas, outras chocando-se em suas coxas. Seus pés tocavam a água, e aquele momento simples foi refletido em mil pingos de cristais. A menina respirou fundo, sentindo a dor no peito, sendo lavada, a àgua levando sua sanidade...
Encostou a cabeça na parede, e mais algumas lágrimas escorreram em sua face.