Era um banheiro bem iluminado, com as paredes cobertas por azulejos brancos. Ele
estava ùmido e quente, com uma ligeira névoa causada pelo vapor.
O espelho estava
embaçado e a pia
molhada. Havia roupas no chão, jogadas sob o tapete.
O
boxe era de vidro, e gotas escorriam pela sua superfície.
Os únicos ruídos audíveis eram causados pelo motor do chuveiro, e o de sua água chocando-se contra a superfície. Porém, se você ouvisse atentamente, escutaria um outro som, por baixo: o choro de uma menina.
A criatura nua e encolhida encontrava-se encostada na parede de baixo do chuveiro. Seus cabelos molhados escorriam pelos braços, que abraçavam suas pernas. Sua face estava escondida, e seus ombros se moviam conforme chorava.
A
água quente escorria pela sua pele. Ela corria em
direção ao ralo, sendo levada junto com as lágrimas da garota.
"Is-
so mi-
nha que-ri-da", diziam as gotas ao
passaram pelo seus ouvidos e
estaralem no chão. "
Cho-
re".
A menina ergueu a cabeça, olhando para cima, sentindo a água tocar sua face. Por um instante parou de chorar e estendeu a mão pra cima, se envolvendo na pequena cascata quente.
Abriu a boca e devorou-a, sentiu-a em suas
pálpebras e deslizando pelos seus cabelos, uma gota percorrendo suas costas, outras chocando-se em suas coxas. Seus pés tocavam a água, e aquele momento simples foi
refletido em mil pingos de cristais. A menina respirou fundo, sentindo a dor no peito, sendo lavada, a
àgua levando sua sanidade...
Encostou a cabeça na parede, e mais algumas lágrimas escorreram em sua face.